Tem nome de cidade, mas parece uma vila. A beleza das ruas traz alegria, cada qual batizada com seus nomes nos azulejos e a memória nas paredes faz cafuné na história do lugar e dá vida às esquinas.

É um daqueles lugares que o tempo fez morada, as casas exalam poesia nos detalhes, floreiras nas janelas, jardins desejando boas-vindas. A arquitetura do início do século XX preservada nas janelas com arcos, arabescos, flores e laços esculpidos nas fachadas e o capricho nos detalhes, fabricados numa coleção de horas, num modo peculiar de construir e habitar um lar, diferente da padronização que invadiu muitos apartamentos.

Uma mulher olha a rua atrás da porta, o povo passando, o movimento do comércio, a tarde que acaba e outro dia virá, no ritmo suave de sempre. Ela sorri para a desconhecida e os olhares se reconhecem. As vendas, mercearias, lojas e uma antiga padaria no centro da cidade, no balcão: tarecos, biscoitos e pães para animar as barrigas.

O lugar nasceu da serra que trouxe junto o frio, pinheiros, flores, árvores e o verde como pano de fundo da paisagem. O clima bucólico de pequeno canto do mundo, meio mato, meio cidade, atmosfera encantadora e respira cultura, com espaços artísticos espalhados pelo território.

Com tanta beleza, o turismo fez morada em teleféricos, pousadas, engenhos e paisagens rurais. O lago, cartão postal da cidade e morada dos pedalinhos recebe pedestres e praticantes de caminhada em suas margens. Ao fundo, o cine-teatro, o mais antigo e quiça único do sertão emoldura a tela projetada nas retinas, junto aos últimos raios de sol que se misturam à brisa fria e invadem os poros.