O dia começou ainda nos restos da noite, os raios de sol não tinham despertado. Sair de casa na moto, rumo à empresa e bater o ponto, o velho cara-crachá, qual é mesmo o endereço de hoje? ir dedetizar o apartamento da rua das Orquídeas, centro da cidade.

Uma manhã encontrando baratas, formigas, traças, pragas domésticas, pulando nos braços e no rosto. A raiva dos insetos e no final da manhã, ser vencido pelo cansaço, mas a dona da casa ficou satisfeita, tudo bem, então. Agora, é hora de parar, pegar a quentinha trazida na bolsa e aos poucos os bocejos, desejo de cochilo, já que não tem cama, vai aqui mesmo. Deitado no banco da praça na sombra das mangueiras, junto aos companheiros de trabalho.

Antes de pegar no sono, ver as pessoas passando rumo ao seu destino, locais de trabalho, escolas, hospitais e paradas de ônibus. O sinal fechou, pedestres atravessam a rua e mais um dia caminha no estado normal das coisas. O sol no meio da praça avisa que é meio-dia em ponto, à pino, foi assim que aprendeu na infância, os olhos fecham e a sensação de relaxamento.

Eu imagino a rotina daquele homem que vi, quando voltava do trabalho à pé, minhas lentes-pupilas tem visto trabalhadores da construção civil, pedreiros e ajudantes. Também, entregadores de água deitados em bancos ou sentados nas calçadas, embaixo da sombra de alguma árvore, alguns fazem de suas raízes, assento. Vivem a pausa do almoço, ficam à vontade, às vezes de pés descalços, os sapatos servem de travesseiro.

Inspiram plenitude, simplicidade de gestos, cultivam a sagrada hora de parar o corpo e os pensamentos e dão aulas na Escola das Horas.