Como é bom pertencer, ser natural de uma cidade, estar em uma família, poder escolher amigos, identificar-se com um bairro e poder desfrutar de cada um de seus cantos: vielas, ruas, esquinas e esconderijos.

Reconhecer os moradores com um olhar e poder participar de encontros com os vizinhos, esse foi o sentimento que me visitou na última quinta feira, dia em que recomeçaram as serestas do bairro.

Seresta é algo que lembra muito minhas origens sertanejas, de lugar longe, longe e poder ter isso perto de onde moro, numa cidade grande, é encantador, assim como foi bom sentir a receptividade, reencontrar amigos e conhecidos, tudo isso no aconchegante restaurante gracioso que tem nome bucólico, a fazendinha.

Preciso dessa sensação de coletividade para me reconhecer enquanto eu, me dá firmeza, lembra o que vivi com meus vizinhos da rua em que cresci na infância, algumas das melhores experiências que já tive na vida, com-partilhadas com eles.

Estar com pessoas, rende boas histórias como a do pé de jambo que já existiu no quintal do meu prédio, feliz foi a descoberta de saber que eram dois jambeiros, quanta fartura, pensei, infelizmente, um já se foi,caiu, não tive detalhes de como ocorreu o fato, mas o outro permanece, glorioso. Histórias da flora da rua onde moro, contadas por um morador que nela reside há sessenta e três anos, lindeza habitar tanto tempo um espaço, me enche de espanto e alegria.

E assim vou seguindo, cantando nas serestas, coletando histórias no bairro. Cotidianamente. E você, o que tem marcado seu cotidiano?