Ela morou em frente à praça e a via da janela de casa, os bancos, o bonde e as pessoas passando. O tempo andou veloz, a cidade cresceu avisam os prédios, arranhas-céus tocando o horizonte que lá de cima parece mais perto.

Aquela menina que brincava na praça, como a veria hoje? Clarice, Clarice um pombo pousou na máquina de escrever em seu colo, tempo de pausa entre um voo e outro. Também tem outros bicando seus pés. Eles comem grãos de milho deixados por uma boa alma, se fartam no almoço de sábado, banquetes em fim de semana, os animais também tem direito. Muitas aves ciscando, procurando comida, nutrindo as barrigas. Ainda tem arroz e feijão para matar a fome, deixados no chão. Clarice, o pombo saiu do seu colo, chegou outro, pousou em sua cabeça e virou adorno.

A praça, os pedintes, flanelinhas e mendigos. Como engrandeceu a cidade, não há comida e trabalho para todos. Quase ninguém sentado nos bancos. Onde estão as pessoas? tem medo de assaltos? da falta de segurança pública? Eu sei, no seu tempo isso pouco existia.

O asfalto cobriu os trilhos que levavam as pessoas para suas moradas no final de um dia de trabalho, mas a fonte da praça ainda jorra água, muita e cristalina, feito a cabeça quando está sossegada. Água que mata a sede e lava a roupa de alguns que estão ali. Clarice, por que não transformam a sua casa em centro cultural? já existe um projeto, mas não saiu do papel. Estamos vivendo tempos difíceis, por enquanto é bom saber que vou te ver, sempre que passo por ali e pensar tantas coisas, a descoberta do mundo como você batizou seu livro. Obrigada.